segunda-feira, 7 de março de 2011

Carnaval 2011: Grande Rio abraça magia de Floripa


O incêndio no barracão da Grande Rio na Cidade do Samba, em fevereiro, destruiu oito carros alegóricos, quatro tripés, a maior parte das 3.300 fantasias e o sonho da agremiação de ser campeã no carnaval de 2011. Das cinzas, a escola de Duque de Caxias, que teve um prejuízo estimado em R$ 6 milhões, tenta agora se reerguer, com a clareza de que é inviável refazer o trabalho de um ano em apenas um mês.

O diretor de carnaval da Grande Rio, Luiz Otávio Novello, o Tavinho, estima que, mesmo em ritmo acelerado, a escola deve entrar na avenida do samba com apenas três carros alegóricos. "Mas nós estamos trabalhando para entrar com quatro", aposta, otimista, o diretor, de acordo com o qual a agremiação deve reconstituir a tempo os quatro tripés destruídos durante o incêndio. "Não sobrou quase nada, nós perdemos tudo. O desafio neste momento é o de conseguir realizar o desfile." Para tanto, a agremiação tem contado com a ajuda da iniciativa privada e com a contribuição de R$ 1,5 milhão da Prefeitura do Rio de Janeiro. O valor é bastante inferior aos R$ 9 milhões que haviam sido orçados pelo carnavalesco Cahê Rodrigues para o desfile deste ano.

Após um vice-campeonato em 2010, no qual ficou apenas cinco décimos atrás da Unidos da Tijuca, a Grande Rio apostava alto em 2011. O carnavalesco da escola chegou a viajar a Santa Catarina com o intuito de arrecadar recursos para o enredo "Y-Jurerê Mirim - A Encantadora Ilha das Bruxas (um Conto de Cascaes)", uma homenagem a Florianópolis. A intenção da escola era reviver na passarela do samba as histórias do folclorista Franklin Cascaes, que povoou a capital catarinense de bruxas, boitatás, bois de mamão e outras personagens do folclore açoriano.

Além do misticismo, o desfile prometia levar para a Marquês de Sapucaí as belezas naturais, a arte e os pratos típicos da ilha, representados com destaque em grandes alegorias. Após o incêndio, a escola acredita que pelo menos dois dos novos carros serão feitos à semelhança dos antigos. Em um deles será reproduzida a ponte Hercílio Luz, um dos cartões postais de Florianópolis. A outra alegoria, o carro abre-alas, será menor que a antiga e trará um grande caldeirão, por meio do qual a escola espera que o público "mergulhe" no tema do desfile.

O terceiro carro ainda é um mistério. Os dirigentes da escola ainda não sabem se criam uma alegoria nova ou se refazem uma antiga. As mudanças, de acordo com Tavinho, não devem alterar o ritmo do desfile inicialmente programado, que seguirá com 3.600 integrantes e 34 alas. A comissão de frente, sobre a qual o diretor guarda segredo, será mantida, sob o comando do coreógrafo Renato Vieira.

Se a apresentação da escola era a que reunia o maior número de celebridades na Sapucaí, o incêndio reforçou ainda mais o laço da Grande Rio com a classe artística. Além da tradicional participação de nomes como David Brazil, Susana Vieira e Adriana Lessa, a agremiação contará com outras estrelas em suas alas, comovidas pelo incidente. Um dos destaques da Grande Rio será, por exemplo, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes.

Confira o samba-enredo da Grande Rio:

"Y-Jurerê Mirim - A Encantadora Ilha das Bruxas (um Conto de Cascaes)"

Autores: Edispuma, Licinho Jr. Marcelinho Santos, Foca

Yjurerê mirim ?

Meu paraíso ? que maravilha!

Foi Deus quem fez assim

Com todo encanto ? essa magia

Entre contos e lendas

Quanta imaginação

Celebrando a natureza

Rituais de gratidão

Eu também sou carijó

E bendito o meu lugar

Rezei forte ? nesse chão

Sai pra lá assombração

Já peguei meu patuá

Caldeirão vai ferver

A Grande Rio chegou

Vem trazer pra você

Uma porção de amor

É a receita que a bruxinha ensinou

O Folclore é tradição

Valorizando a cultura popular

O canto ? a dança

O sagrado e o profano

Minha Ilha encantada

Vivo te admirando

Beleza ? riqueza

Repousando sobre o mar

Santuário pra sonhar

Meu Rio te abraça ? Floripa tão bela

A tua história virou carnaval

Essa ponte é a luz da passarela

É obra-prima ? esse cartão postal

Fonte: O Estadão

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